Estudo desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Tocoginecologia da Unicamp investiga fatores associados à gravidez não planejada entre adolescentes e jovens atendidas no CAISM

Uma pesquisa desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Tocoginecologia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ganhou destaque na edição 747 do Jornal da Unicamp, em matéria intitulada “Um retrato da gravidez não planejada”, publicada entre os dias 3 e 16 de agosto de 2026.

O estudo, realizado pelo sociólogo Negli Gallardo-Alvarado, como parte de sua pesquisa de doutorado, contou com a orientação do professor Luis Bahamondes, professor emérito da Unicamp e pesquisador vinculado à área de saúde sexual e reprodutiva. A pesquisa teve como foco a gravidez não planejada entre adolescentes e jovens atendidas no Hospital da Mulher Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti – CAISM/Unicamp.

Foram entrevistadas 101 gestantes com idades entre 12 e 20 anos, moradoras da Região Metropolitana de Campinas e atendidas no ambulatório de pré-natal do CAISM entre 2017 e 2024. Os resultados revelaram que 84% das participantes relataram que a gestação não havia sido planejada, evidenciando a relevância do tema como questão de saúde pública e de garantia dos direitos sexuais e reprodutivos.

Entre os principais achados, o estudo identificou aspectos relacionados à trajetória reprodutiva, ao conhecimento sobre métodos contraceptivos e às condições sociais das participantes. Embora a maioria das jovens reconhecesse métodos como a pílula anticoncepcional, os injetáveis e o preservativo quando questionadas diretamente, cerca de dois terços relataram não possuir conhecimento espontâneo sobre métodos contraceptivos.

A pesquisa também identificou fatores associados à ocorrência de uma gravidez não planejada. Segundo os resultados apresentados na reportagem, morar com o parceiro esteve associado a uma redução de 88% no risco de relatar uma gestação não planejada, enquanto o adiamento do início da vida sexual esteve associado a uma redução de 35%.

Para o professor Luis Bahamondes, o estudo contribui para ampliar o conhecimento científico sobre uma população ainda pouco contemplada pelas pesquisas. A investigação concentra-se especificamente em adolescentes e jovens que já estavam grávidas, permitindo compreender aspectos particulares dessa experiência que podem ser diluídos em estudos mais amplos sobre a população em idade reprodutiva.

A pesquisa também reforça a importância da educação e do acesso aos métodos contraceptivos, especialmente aos métodos contraceptivos reversíveis de longa duração (LARC). Entre as conclusões apresentadas pelo pesquisador, destaca-se a necessidade de ampliar as oportunidades educacionais e garantir o acesso aos métodos contraceptivos na rede pública, independentemente da idade.

Ciência, saúde reprodutiva e impacto social

A repercussão do estudo no Jornal da Unicamp evidencia a importância da produção científica voltada à saúde sexual e reprodutiva e sua capacidade de contribuir para o debate público sobre temas que afetam diretamente a vida de adolescentes e jovens.

A pesquisa também representa a importância da atuação interdisciplinar na investigação de questões relacionadas à saúde reprodutiva. A combinação entre as perspectivas das ciências sociais e da medicina permite compreender a gravidez não planejada para além de seus aspectos clínicos, considerando também fatores sociais, educacionais, relacionais e relacionados ao acesso à informação e aos métodos contraceptivos.

O estudo contou com financiamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A íntegra da reportagem pode ser acessada no Jornal da Unicamp: “Um retrato da gravidez não planejada” – Jornal da Unicamp.

Referência: Garcia M. Um retrato da gravidez não planejada. Jornal da Unicamp. Edição 747, 3–16 ago. 2026.